CHICO SCIENCE
Francisco de Assis França nasceu no ano da graça de 1966, nativo do signo de Peixes. Filho de um funcionário público aposentado e de uma dona da casa, cresceu nas quebradas de Rio Doce, subúrbio de Olinda em rápido crescimento a partir da década de setenta. As benesses do milagre econômico da ditadura militar permitiram que a vida fosse simples, mas sem maiores privações. Chico estudou em escola pública, como seus dois irmãos e a irmã Goreti e, após concluir o secundário, passou a trabalhar numa empresa do Estado mais tarde privatizada na onda neo-liberal.
Seu envolvimento com o mundo da música data da adolescência, quando descobriu as batidas do Funk americano. Apaixonado por James Brown e cia., ele desde então nunca deixou de “procurar o beat perfeito”, como diz uma música-chave de outro de seus amores, a cultura Hip Hop. Essa busca, sempre inconclusa, sempre passível de aperfeiçoamento, o levou anos depois a se aproximar do maracatu e do coco e, com esses ritmos regionais, elaborar uma alquimia sonora de impacto universal. Antes, no entanto, de se transformar no cientista das batidas certeiras, Chico passou por um longo aprendizado nas ruas, calçadas e bares do Grande Recife. Como membro da Legião Hip Hop (ver verbete) se exercitou nas artes da grafitagem, da dança e do rapeado, modelando o corpo e a fala para os futuros projetos.
A primeira banda, o Orla Orbe, ainda era calcada nos modelos americanos, com influências marcantes de artistas como LL Cool Jay e Run DMC. Foi só na virada da década de oitenta que o caldeirão de influências capazes de gerar o som da Nação Zumbi começou a borbulhar. Integrante de uma rede social variada e estimulante, rede que se transformou no núcleo-base do Mangue Beat, Chico compartilhou um processo riquíssimo de troca de informações e experiências e refinou suas ambições sonoras.
Tão insatisfeito como seus companheiros com o estado de coisas da música brasileira, ele observou com olhos e ouvidos atentos a expansão das tecnologias de gravação e produção que facilitavam experimentos já presentes no Hip Hop, técnicas de colagem acessíveis via o barateamento dos equipamentos eletrônicos. A partir daquela época, ficou fácil para um compositor inglês samplear uma cantora árabe e uma batida de samba e criar algo novo e excitante. A busca do beat perfeito ganhou possibilidades inimagináveis dez anos antes. E Pernambuco, com seus incontáveis ritmos, surgiu como uma mina inexplorada à espera de seu desbravador.
Assim nasceu Chico Science, o alquimista mestre
na ciência da manipulação dos grooves. O apelido, dado de brincadeira por Renato
L, inspirado na maneira como um tio era chamado por conta da paixão por
ficção-científica e teorias sobre extra-terrestres, foi remixado para se adaptar
a nova persona. Quem escutava o que Francisco França andava preparando, não
tinha dúvidas do acerto na escolha do nome. Um mix orgânico de rap, maracatu,
rock dos anos sessenta, samba, afro-beat, reggae e outros ingredientes ecoava
com um impacto capaz de fascinar tribos de todas as procedências e gostos. E as
letras cantadas sob essa massa indistinta eram até que o acaso trouxe um
acidente de carro e o tirou precocemente dessa vida. Três de fevereiro de 97,
sete horas da noite, um poste no Complexo Salgadinho, perto de Olinda: quantas
batidas, quantas letras, quantas performances geniais essa data fatídica impediu
que enriquecessem a história da música? Alçado a condição de mito, presente em
camisetas, barracas, adesivos e outras quinquilharias, Chico, em suas inúmeras
versões impressas, é a prova ambulante dos paradoxos dessa vida. Ele, tão frágil
e ao mesmo tempo tão resistente, imune ao desgaste do tempo por sua graça e a de
suas criações
Tudo começou na Orla Orbe. Não é nenhum barzinho à beira-mar do Recife,
mas o nome da primeira banda da qual Francisco de Assis França fez parte, nos
idos de 1987. Nessa época, ele ainda não era Chico Science, mas sua
inventividade já se anunciava, alimentada pela participação, três anos antes, na
Legião Hip Hop, um grupo de dança de rua no qual grafiteiros, músicos e
dançarinos curtiam o melhor da música negra norte-americana.
A black music também era a base do Loustal, grupo posteriormente formado por
Chico e seus amigos Lúcio Maia e Alexandre Dengue. O nome é homenagem ao
quadrinista francês Jacques de Loustal, cujo trabalho era apreciado por Chico. O
hip hop da Legião e o funk e o soul da Orla Orbe eram alguns dos elementos
misturados pelo Loustal, que se utilizava também de rock e ska. No início de 91,
Chico Science entrou em contato com o Lamento Negro, um bloco afro que
trabalhava com educação popular no centro comunitário Daruê Malungo, periferia
do Recife.
O vigor da percussão chamou a atenção do cantor,
que começou a trilhar rumo distinto, misturando num mesmo balaio black music e
música de raiz, como maracatu e coco de roda - eis aqui o embrião do que se
batizou manguebit. Nesse mesmo ano, nada mais de Orla Orbe ou Loustal, a galera
atendia pelo nome de Chico Science e Lamento Negro: a Chico (voz), Lúcio
(guitarra) e Dengue (baixo) juntaram-se Toca Ogam (percussão/efeitos), Canhoto
(caixa), Gira (tambor), Gilmar Bola 8 (tambor) e Jorge du Peixe (tambor).
Canhoto não ficou muito tempo, sendo substituído por Pupilo. O público
assistiria, em junho, ao primeiro show da banda - já conhecida como Chico
Science e Nação Zumbi (CSNZ) - no Espaço Oásis, em Olinda. A partir daí, várias
outras apresentações aconteceram, junto com outros grupos do Recife como o mundo
livre s/a. A turma reunia os tipos mais diversos, músicos, jornalistas, artistas
plásticos, punks... O elo entre todos era o gosto por música, fosse qual fosse o
tipo ou a origem. Os jornais locais começavam a abrir espaço e a designar a cena
musical que fervilhava no Recife sob o rótulo de mangue ou manguebit. Uma
coletânea começou a ser elaborada em 92, com músicas de CSNZ e mundo livre s/a,
batizada de Caranguejos com Cérebro - o mesmo nome de um
manifesto escrito por integrantes do manguebit. O projeto não deu certo e as
bandas se organizaram para fazer uma pequena excursão pelo Brasil. Três shows em
São Paulo e Belo Horizonte foram suficientes para chamar a atenção de crítica e
público e para fazer a Sony Music elaborar uma proposta de contrato. No final do
ano, o grupo entrava no estúdio Nas Nuvens acompanhado do produtor Liminha para
gravar o primeiro disco.
Da Lama ao Caos chegou ao mercado nacional em
94. O CD conseguiu arrebatar os críticos dos principais cadernos culturais do
Brasil, levando também o público ao delírio, apesar de, em algumas faixas,
deixar de lado a força que a Nação Zumbi demonstra no palco. Mas os shows não
eram mais problema: a banda começou a excursionar e mostrar as histórias do
mangue mundo afora. Participando de festivais nos Estados Unidos ou fazendo
shows pela Europa, CSNZ foram deixando sua marca por onde passavam, preparando o
terreno para novas idéias - e para o novo disco.
Um grupo mais maduro voltou ao Nas Nuvens em 96, para gravar
Afrociberdelia. Deixando o produtor de lado e assumindo o comando do disco,
a Nação deixou que pitadas eletrônicas permeassem o CD, que conta com diversas
participações especiais, entre elas Gilberto Gil, Fred 04 (mundo livre s/a) e
Marcelo D2 (Planet Hemp). A estrada foi a casa da banda durante esse ano:
novamente Estados Unidos, novamente Europa, novamente o Brasil - e todos se
impressionavam com o batuque dos tambores de Chico Science e Nação Zumbi. O ano
de 97 chegou para mudar radicalmente a trajetória da banda. Num acidente de
carro na fronteira entre o Recife e Olinda, Chico Science morreu, às vesperas
dos shows que o grupo faria no carnaval. A estupidez do fato chocou a todos e
fãs desolados choravam em todo o País, questionando a injustiça: por que morrer,
aos 33 anos, um cara que ainda tinha tanto para fazer, que tinha muito a dizer?
A precocidade, antes de mais nada, colocou o nome de Chico no panteão dos
artistas-mito.
Os caranguejos mostram suas garras Há dez anos Chico Science lançava um disco que falava de lama em contraponto à tecnologia e entrava para a história do pop nacional Afrociberdelia, de 1996: último disco de uma carreira que acabaria influenciando uma geração de compositores de todo o país.
Orla Orbe foi a primeira banda de Chico Science, criada em 1987. Abaixo o cartaz, feito à mão e com foto xerocada, do primeiro show do grupo, em Recife.


Manuscrito de Chico Science da música "A Cidade" (1988), gravada em 1993, com algumas alterações na letra. Foi o primeiro sucesso da banda Chico Science e Nação Zumbi e também a primeira canção a ganhar videoclipe.


NAÇÃO ZUMBI

O grupo Nação Zumbi foi criado em 1990, sob a liderança de Chico Science. Com ideais e diversas influências sonoras, eles mesclaram duas bandas que já existiam em Recife. Loustaf, da qual Chico fazia parte, e Lamento Negro, bloco afro de Gilmar Bolla 8. Dessa união, surge Chico Science e Nação Zumbi, que uniu tambores, muita percussão, guitarras funk psicodélicas e letras inspiradas. A primeira apresentação foi em 1991, em Olinda, em uma festa chamada "Black Planet". Neste mesmo ano, Chico Science e Fred Zero Quatro (do grupo Mundo Livre S/A) escreveram um manifesto do movimento Manguebit, o Manifesto dos Caranguejos com Cérebro, que tem como símbolo uma antena parabólica colocada na lama.
Em 1992 pela primeira vez tocaram em São Paulo, junto com o Mundo Livre S/A, no espaço Aeroanta, dentro do projeto "Movimento Manguebit". Após muitos elogios, em 1993, no Festival Abril Pro Rock, surgiu o contrato com a gravadora Sony Music. Gravaram o primeiro CD, Da Lama ao Caos, produzido por Liminha. O segundo CD, Afrociberdelia, contou com as participações de Gilberto Gil e Marcelo D2e CS e NZ já eram conhecidos no Brasil com o Movimento Mangue Bit.
Em 1997, Chico Science sofreu um acidente de carro às vésperas do Carnaval em Recife/Olinda e faleceu. O carnaval daquele ano não foi como os outros, ninguém pode esconder a tristeza pela perda do mais carismático dos magueboys. Em abril, Nação Zumbi volta a se apresentar, novamente no Festival Abril Pro Rock, o show ainda contou com a participação de Max Cavalera (Soufly).
Nação lançou um CD duplo, intitulado Chico Science e Nação Zumbi, com as músicas dos dois primeiros CDs e algumas remixadas. Fora da Sony, lançaram o Rádio S.Amb.A, com canções inéditas. O CD saiu pela YBRAZIL?Music. Receberam inúmeras críticas positivas do CD e receberam prêmios com o CD. No inicio de 2002, fecharam um contrato com a gravadora Trama.
Quem faz parte:
Dengue - baixo
Pupillo - bateria
Lúcio Maia - guitarra
Gilmar Bola 8 - tambor
Gira - tambor
Jorge Du Peixe - tambor
Toca Ogam - percussão
Marquinhos - percussão
DISCOGRAFIA

CSNZ (duplo)
CD 1: "Dia"
1. Malungo (Jorge Dü Peixe / Gilmar Bola 8 / Fred 04 /Marcelo D2 / Falcão /
Nação Zumbi)
2. Nos Quintais do Mundo(MUCUNÃ)
3. Protótipo Sambadélico de Mensagem Digital (Jorge Dü Peixe / Nação Zumbi)
4. Dubismo (Jorge Dü Peixe / Gilmar Bolla 8 / Lucio Maia / Dengue / Pupillo)
5. Interlude Cien-zia (Eduardo BIDlovski)
6. Quilombo Groove (Ao Vivo)
7. Um Satélite na cabeça (Ao Vivo) (Chico Science / Lucio Maia / Dengue)
8. Pout-Pourri (Ao Vivo) (Chico Science & Nação Zumbi)
9. Sobremesa (Ao Vivo) (Chico Science & Nação Zumbi / Renato L.)
10. Salustiano Song (Ao Vivo)
11. Samba Makossa (Por Planet Hemp)
CD 2: "Noite" - Remixes
1. Amor de Muito (Remixe: Mário Caldato)
2. Banditismo por uma Questão de Classe (Remixe: DZCutz)
3. A Cidade (Remixe: DJ Soul Slinger)
4. Rios, Pontes e Overdrives (Remixe: David Byrne)
5. Macô (Remixe: Fila Brazilia)
6. Corpo de Lama (Remixe: Apollo 9)
7. Coco Dub (Mad Professor)
8. O Cidadão do Mundo (Remixe: Arto Lindsay)
9. Risoflora (Remixe: BID)
10. Chico - Death of a Rockstar
Produção: Nação Zumbi e BID
1997
Chaos / Sony Music

Da Lama ao Caos
1. Monólogo ao pé do ouvido (Chico Science)
2. Banditismo por uma questão de classe (Chico Science)
3. Rios, Pontes e Overdrives (Chico Science / Fred 04)
4. A Cidade (Chico Science)
5. A Praieira (Chico Science)
6. Samba Makossa (Chico Science)
7. Da lama ao Caos (Chico Science)
8. Maracatu de tiro certeiro ( Jorge Du Peixe )
9. Salustiano Song
10. Antene-se (Chico Science)
11. Risoflora (Chico Science)
12. Lixo do Mangue
13. Computadores fazem arte (Fred 04)
14. Côco Dub (Chico Science)
Produção: Liminha
Participações especiais: Chico Neves e Liminha
1994
Chaos/Sony Music
DEPOIMENTOS DE AMIGOS
Quem esteve por perto de Chico Science e
conviveu com ele antes do estouro do manguebit, quem deu o pontapé inicial nessa
história de "cena mangue", quem ajudou a música da Nação Zumbi ecoar em todo o
planeta. Os
depoimentos de gente que colaborou com a construção do sucesso do mangue
mundo afora. A dor é grande, incomoda. E joga na cara nossa vulnerabilidade, sem
apelação. Injustiça, inconformismo, raiva mesmo... Os sentimentos podem ser
vários e a dor da perda cresce, esmaga, assusta.
Fred 04 - Vocalista e cavaquinhista da banda mundo livre s/a
O
melhor produto do pop brasileiro é Afrociberdelia e, em grande parte, graças ao
espírito visionário de Chico Science. O que ele e Jimi Hendrix, dois astronautas
libertados, estariam fazendo neste ano de estréia de milênio?
José Teles - crítico de música do Jornal do Commercio
A
riqueza do mangue, a força do rio Capibaribe. Como esses elementos tão marcantes
da paisagem recifense transferem sua imponência, beleza e miséria para as artes
feitas no Estado. Literatura e música rendem-se à natureza.
Marcelo Pereira - Editor do Caderno C, do Jornal do Commercio.
O MANIFESTO DO MANGUE BEAT
Por Fred Zero Quatro

Cenário do próximo show de Chico
Science & Nação Zumbi, que estava
marcado para depois do Carnaval
CARANGUEJOS COM CÉREBRO
Mangue -
O conceito
Estuário.
Parte terminal de um rio ou lagoa. Porção de rio com água salobra. Em suas
margens se encontram os manguezais, comunidades de plantas tropicais ou
subtropicais inundadas pelos movimentos dos mares. Pela troca de matéria
orgânica entre a água doce e a água salgada, os mangues estão entre os
ecossistemas mais produtivos do mundo.
Estima-se que duas mil espécies de microorganismos e animais vertebrados e
invertebrados estejam associados à vegetação do mangue. Os estuários fornecem
áreas de desova e criação para dois terços da produção anual de pescados do
mundo inteiro. Pelo menos oitenta espécies comercialmente importantes dependem
dos alagadiços costeiros.
Não é por acaso que os mangues são considerados um elo básico da cadeia
alimentar marinha. Apesar das muriçocas, mosquitos e mutucas, inimigos das
donas-de-casa, para os cientistas os mangues são tidos como os símbolos de
fertilidade, diversidade e riqueza.

Chico Science, vestido de lanceiro -figura
típica do
folclore pernambucano. Ao lanceiro, cabe zelar pelo
bem-estar da rainha do maracatu
MANGUETOWN -
A CIDADE
A planície
costeira onde a cidade do Recife foi fundada, é cortada por seis rios. Após a
expulsão dos holandeses, no século XVII, a (ex) cidade "maurícia" passou a
crescer desordenadamente as custas do aterramento indiscriminado e da destruição
dos seus manguezais. Em contrapartida, o desvairio irresistível de uma cínica
noção de "progresso", que elevou a cidade ao posto de "metrópole" do Nordeste,
não tardou a revelar sua fragilidade. Bastaram pequenas mudanças nos "ventos" da
história para que os primeiros sinais de esclerose econômica se manifestassem no
início dos anos 60. Nos últimos trinta anos a síndrome da estagnação, aliada à
permanência do mito da "metrópole", só tem levado ao agravamento acelerado do
quadro de miséria e caos urbano. O Recife detém hoje o maior índice de
desemprego do país. Mais da metade dos seus habitantes moram em favelas e
alagados. Segundo um instituto de estudos populacionais de Washington, é hoje a
quarta pior cidade do mundo para se viver.
MANGUE - A CENA
Emergência! Um choque rápido, ou o Recife morre
de infarto! Não é preciso ser médico pra saber que a maneira mais simples de
parar o coração de um sujeito é obstruir as suas veias. O modo mais rápido
também, de infartar e esvaziar a alma de uma cidade como o Recife é matar os
seus rios e aterrar os seus estuários. O que fazer para não afundar na depressão
crônica que paraliza os cidadãos? Como devolver o ânimo deslobotomizar e
recarregar as baterias da cidade? Simples! Basta injetar um pouco da energia na
lama e estimular o que ainda resta de fertilidade nas veias do Recife.
Em meados de 91 começou a ser gerado e articulado em vários pontos da cidade um
núcleo de pesquisa e produção de idéias pop. O objetivo é engendrar um "circuito
energético", capaz de conectar as boas vibrações dos mangues com a rede mundial
de circulação de conceitos pop. Imagem símbolo, uma antena parabólica enfiada na
lama.
Os mangueboys e manguegirls são indivíduos interessados em: quadrinhos, tv
interativa, anti-psiquiatra, Bezerra da Silva, Hip Hop, midiotia, artismo,
música de rua, John Coltrane, acaso, sexo não-virtual, conflitos étnicos e todos
os avanços da química aplicada no terreno da alteração e expansão da consciência
CHICO SCIENCE É HOMENAGEADO NO
CARNAVAL DE OLINDA
Quatro anos após sua morte, numa acidente automobilístico em Olinda, Chico Science foi homenageado pelo carnaval da cidade. A orquestra de frevos executou A Cidade, música de Chico com a Nação Zumbi, antes do começo do desfile do Galo da Madrugada, que reuniu hoje mais de um milhão de pessoas na vizinha Recife. O nome do músico foi escolhido em eleição popular, promovida pela Prefeitura e o Sistema Jornal do Commercio de Comunicação.
Mais de quatro anos após a morte do cantor Chico Science - vitimado em um acidente de carro em fevereiro de 1997 - a montadora automobilística Fiat foi condenada a indenizar a família do músico. A decisão foi tomada pela juíza Ângela Melo, da 5º Vara Cível de Olinda (PE), onde Chico sofreu o acidente. A sentença baseou-se na perícia feita no automóvel (um Fiat Uno), na qual ficou provado que o cinto de segurança que prendia Chico ao banco se rompeu com o impacto da batida. Condenada a indenizar a família do músico por danos morais e materiais (num valor ainda não estipulado pela Justiça), a Fiat ainda não emitiu comunicado oficial sobre a sentença.
TRIBUTO CARIOCA A CHICO SCIENCE
O falecido líder da Nação Zumbi inspira o evento Circo Science, com inauguração
dia 17
16/07/2001
Chico Science é o "muso inspirador" do evento Circo Science, que a Fundição Progresso (RJ) vai organizar quinzenalmente, com estréia neste dia 17 de julho. O fundador do grupo Nação Zumbi, falecido em 1997, será homenageado pela banda caricoca Doctor Kumalo, que vai reinterpretar algumas de suas canções, além de tocar músicas próprias e covers de Jorge Ben Jor, O Rappa e Pedro Luís & A Parede. Além da música, o evento também vai contar com exibição de instalações de arte digital, dentro do projeto Monitores
CONCLUSÃO
Cantor e compositor pernambucano (Francisco de Assis França, seu nome verdadeiro), nasceu a 13 de março de 1966 e morreu, em conseqüência de um desastre de automóvel, em Olinda, no dia 02 de fevereiro de 1997.
Foi o idealizados do movimento que criou a manguebeat (batida do mangue) , uma mistura de música pop internacional com ritmos regionais nordestinos como o maracatu e outros.
Deixou dois discos gravados: "Da Lama ao Caos", que foi lançado juntamente com o manifesto "Caranguejos com Cérebro" , definindo as bases do Movimento Mangue; e "Afrociberdélia".
Chico Science dizia que o propósito do movimento criado por ele e pela Banda Nação Zumbi era "resgatar os ritmos negros do Nordeste com uma visão mundial".
O compositor Gilberto Gil considerava Chico Science (juntamente com o grupo baiano Olodum e o compositor Carlinhos Brown) "o que surgiu de mais importante na música brasileira nos últimos vinte anos".
Com a Banda Nação Zumbi foi eleito pela Associação de Críticos Musicais de São Paulo o melhor grupo musical brasileiro de 1996.
BIBLIOGRAFIA
Preto.pobreesuburbano.com